terça-feira, 7 de outubro de 2008

A Construção da Pesonagem - capítulo IV

"Para um acrobata seria desastroso demais ficar devaneando logo antes de executar um salto mortal ou qualquer outra proeza de arriscar o pescoço! Nesses momentos não há margem para indecisão. Sem parar para refletir, ele tem de entregar-se nas mãos do acaso e da sua própria habilidade. Tem de saltar, haja o que houver. [...] No entanto, a maioria dos atores tem uma atitude inteiramente diferente em relação à isso. Apavoram-se com os grandes momentos e muito antecipadamente, com todo empenho, tentam preparar-se para eles. Isto produz nervosismo e pressões que os impedem de largar-se nos pontos culminantes, quando precisam se entregar inteiramente aos seus papéis. [...] Representando, nenhum gesto deve ser feito apenas em função do próprio gesto. Seus movimentos devem ter sempre um próposito e estar sempre relacionados com o conteúdo de seu papel. A ação significativa e produtiva exclui automaticamente a afetação, as poses e outros resultados assim perigosos."

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